UMA HISTÓRIA FAMILIAR

Falar sobre a História da Ayurveda requer um estudo profundo dos textos védicos destinados à essa ciência, mas isso visto isoladamente sem a companhia da prática, torna-se pura filosofia. Apesar dos estudos terem uma grande importância para o entendimento dessa Medicina, pois é a base estrutural que garante que os ensinamentos sejam passados e aprendidos de forma correta, e essa base são os próprios textos védicos, uma mente repleta de conhecimento com uma alma vazia de sensibilidade não pode exercer verdadeiramente essa ciência.

Pois essa ciência fala da auto percepção, do aprendizado através da experiência e observação, da percepção dos elementos que se encontram dentro e ao redor de nós, portanto, além do estudo das escrituras, é necessário um compromisso com o próprio estado de presença, para que torne-se possível a prática integral da Ayurveda.

Mas falando um pouquinho do surgimento da Ayurveda, essa foi originada na Índia há cerca de 5 mil anos, o que faz dela um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade. Seu objetivo é promover a saúde em seu sentido mais completo por meio do nosso retorno à unidade com a natureza.

Pode parecer uma comparação um tanto simplista, mas ao tornar-se cada vez mais íntimo das práticas ayurvédicas, pode-se perceber que seu foco se mantém na simplicidade e intuição de como utilizar os elementos naturais a favor da saúde, e isso remete às práticas antigas, inclusive de nossa própria cultura ocidental, onde chás de ervas eram muito mais populares do que as atuais e recorrentes visitas às farmácias e consultas médicas.

Mas voltando à História…, existem documentos que dizem que por cerca de 9000 anos atrás, na região do rio Saraswati, existiu uma civilização altamente desenvolvida e evoluída espiritualmente onde a Ayurveda já era praticada, mas os documentos históricos relativos à essa ciência, datam de 2000 a.C  e encontram-se em dois textos chamados Rig Veda e Atharva Veda. Estes que são os textos citados anteriormente, que compõe os Vedas, e são tidos como livros de sabedoria, que integram a cultura indiana.

A ciência original propagou-se pelo Oriente e Ocidente através do budismo, sendo ainda hoje praticada na Índia e em muitos locais mantendo sua essência original, inclusive no tratamento e preparo de remédios.

Em meados de 1200, a Índia foi invadida pelos muçulmanos e suas bibliotecas foram destruídas, e junto à esse incidente muitos materiais e leituras à respeito da Medicina Ayurvedsda foram destruídos. Em 1750 com a colonização realizada pelos ingleses, sua prática foi proibida, mas continuou sendo utilizada em meio às escondidas. Com a independência do país em 1947,  a prática foi se restabelecendo gradualmente, sendo hoje praticada pela população e considerada uma das medicinas mais eficazes e financeiramente viável.

Ao atravessar os oceanos e chegar ao Ocidente, a Ayurveda sofreu algumas adaptações, inclusive quanto a escolha de quais óleos e ervas utilizar durante os tratamentos, mas tais mudanças se mostram necessárias para que sua prática seja viável e sustentável. Mas junto a essas adaptações ocidentais, acabamos por “ocidentalizar” também a própria estrutura dessa Medicina, o que muitas vezes nos faz voltar ao padrão de “tomar tal remédio para tal sintoma” ao invés de manter a premissa de “olhar a causa para resolver sua consequência”.

Fica então o convite para a reflexão, além do estudo das escrituras antigas védicas e suas práticas técnicas, relembremos também como eram os ensinamentos de nossos próprios antepassados, cuidados das avós, cura popular…