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Bolo de pera e especiarias

Depois dessa bagunça de carnaval, só um bolinho delicioso para acalmar tanta agitação!!! E na época onde colhemos peras orgânicas e temos à disposição sabores como a fava tonka, baunilha brasileira, não tem por que não explorar essas delícias :0

Tem quem goste de dar aqueles pulinhos e sair no bloco de carnaval do bairro, e ainda os mais ousados que vão desfilar mesmo na passarela, ou ainda os que pegam mesmo um voo até o Rio ou Bahia e vão chacoalhar o corpo até entrarem numa catarse sem explicação!

Tem ainda aqueles como eu que realmente abstraem. Adoro samba, tamborim, cores, festa, batucada, mas não tenho estômago para as confusões que se criam devido a falta de clareza do que realmente pode significar essa festividade.

Então fico quietinha, tomo banho de cachoeira, garanto meu acarajé vegano na pracinha da Lagoa no horário em que a festa ainda não começou, saio de fininho, à francesa e volto rapidinho pra casa na mata, pra sentar no deck, olhar as estrelas, brincar com os cachorros e garantir que no dia seguinte eu acorde com um bolinho desses na mesa do café da manhã, e por que não?

Anota pois esse é daqueles que acalma os nervos de tão gostoso e macio 🙂

Bolo de pera e especiarias (sem glúten ou laticínio)

Descascar 2 peras grandes e picar bem miudinhas, banhar em 1/4 xícara de água de flor de laranjeira, 1 c de sopa de raspas de casca de laranja orgânica, 1 semente de fava tonka raladinha, 1 c de chá de cardamomo em pó, a mesma medida de canela em pó e um pouco menos de noz moscada em pó, algumas gotas de baunilha, mexe e deixa a fruta absorver um pouco todo esse sabor!

Então, acrescente 3/4 x de melado de cana e em seguida acrescente 3 gemas de ovos orgânicos, mexe bem e depois 1 x de suco de laranja, 1/2 x de óleo de coco, pitada de sal do Himalaya, mexe até encorporar bem os ingredientes, então vamos aos secos, 1 1/2 x de farinha de trigo sarraceno e a mesma medida de farinha de arroz integral, 1 c de sopa de psyllium, 1/2 x de lascas de amêndoas, mexe e observe se a massa não está nem líquida nem grossa demais. Bate as 3 claras e incorpore aos poucos para não desmanchar, e somente no final, quando o forno já estiver aquecido, a forma redonda de furo no meio untada com óleo de coco e açúcar demerara, acrescente 1 c de chá cheia de bicarbonato e 2 c de sopa de vinagre de maçã orgânico, isso produzirá a fermentação inicial do bolo, mexe com delicadeza e leva para assar por 35′.

Sem palavras pra dizer o quão maravilhoso, fofinho e aromático ficou!

 

Oficina de Nutrição Ayurveda 2017 – as fotos, as receitas, o agradecimento à todas!

Às vezes, imagens, sons, sabores, cores dizem mais do que palavras…

Nossa mente se limita tanto, utiliza de forma tão infantil os nossos sagrados seis sentidos, e por muitas vezes através do sentido da fala acabamos por desgastar, diminuir, distorcer uma verdade experimentada que deixa marcas no corpo, na nossa história, que realmente seria impossível de expressar através da mente concreta!

A sensação de estar fluindo com o fluxo das coisas, da vida, do nosso dharma é o que nos trás essa sensação de não ter vontade de correr, atropelar tudo, controlar ou manipular as situações conforme o grande desejo do nosso ego. Esse ego que por muitas vezes comete grandes enganos…

As imagens abaixo registraram essa experiência, da presença, partilha, do fluxo, integração, integridade. Agradeço pela oportunidade _/\_

 

 

 

 

 

 

 

Meditação + Consciência alimentar devem caminhar juntos _/\_

Rocambole salgado vegan d-e-l-i-c-i-o-s-o, receitinha da Oficina de Nutrição Ayurveda nesse próximo sábado

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Acho muita graça nos nomes que surgem das releituras de receitas tradicionais, quando “traduzidas” para as versões veganas e naturebas! Comecei até a implicar um pouco em usar esses termos “leite ou queijo vegetal”, “carne de tal coisa”, “sushi de não sei o que” e por ai vai… Até me apropriar desses termos e começar a me divertir também!

Para essa receita, me veio na cabeça o batismo com o nome “Rocambole de carne lentilhoa, recheado de mussarela de mandioquinha” rs…, adivinha do que foi feito?!

Brincadeiras à parte, a receita ficou muito saborosa, e referente às apropriações dos nomes tradicionais, é claro que primeiramente isso facilita nomear e identificar as receitas conforme sua aparência e textura, mas a principal razão de continuar utilizando nomes de alimentos que nos são familiares apesar de não usufruirmos mais deles, é a memória e conexão que carregamos durante nossa trajetória de vida, a memória que eles nos remetem de momentos muitas vezes acolhedores, harmônicos e amorosos, entre família, entes queridos e amigos de um passado longínquo…

Esse é um dos temas que costumo abordar nas anamneses ayurvédicas, assim como nos próprios cursos e oficinas: padrões alimentares que continuam a fazer parte de nossas vidas mesmo nós não os querendo mais! Isso ocorre devido a essa memória que relatei acima, por exemplo, se você, quando criança costumava ter momentos de afeto com sua mãe ou pai na hora do café da manhã e normalmente tomavam leite morno ou comiam pão com margarina, adivinha? Mesmo você sendo master ultra entendido na alimentação consciente, cheio de conhecimento natureba etc e tals, haha, quando sente o cheirinho do leite morno e assiste a cena de alguém se deliciando com o pão com margarina, no mínimo ou vai salivar ou vai ter uma sensação nostálgica sem explicação…

Ta tudo lá, na caixinha do subconsciente, guardado, junto com seus medos, carências e amores reprimidos…, portanto, não adianta radicalizar nas escolhas alimentares se sua mente ainda não acompanha tal processo!

Meditação + Consciência alimentar devem caminhar juntos _/\_

Oficina de Nutrição Ayurveda 18/02/2017

Entra e sai ano, e desde 2009 me vejo entre as panelas, temperos, cores vibrantes e novas descobertas de sabores antes não experimentados!

No começo os ingredientes eram à base de leite, tinha açúcar e receitas com grande influência da alimentação hare krsna, e toda a filosofia da alimentação era levada à risca, com influência da gastronomia indiana e tudo o mais. Com o passar do tempo, algumas adaptações e pesquisas aconteceram, para que eu pudesse “atualizar” e “localizar” os conceitos da antiga Medicina e Nutrição Ayurveda em ressonância com a nossa realidade alimentícia atual.

Surgiram então as primeiras receitas sem nenhum ingrediente de origem animal, e conforme minha própria experiência pessoal, fui estudando sobre o atual trigo que temos consumido e decidi conhecer também outras farinhas…, o açúcar deu lugar às frutas secas e surgiram novas texturas, combinações e sabores surpreendentes!

Foi então que vi que minha praia não era somente quais ingredientes utilizar de forma aleatória ou mesmo devido ao modismo e influência da mídia conforme os interesses da indústria alimentar, mas uma combinação harmônica entre consciência e meditação e os alimentos que escolhemos conforme nosso estado mental / emocional.

O resultado disso foram alguns anos de laboratório dentro da cozinha da minha casa, mesmo local onde acontecem as oficinas. Nada é montado, tudo aqui é visto e feito conforme o que faço na minha vida diária. Cada dia se apresenta de forma diferente, assim cada dia uma escolha diferente.

Essa é a proposta que apresento, cozinharmos juntos, dando espaço para que todos possam perceber o seu próprio tempo, o que os vem motivando a escolher suas atuais situações na vida presente. Alimento é tudo, não somente a matéria orgânica que ingerimos, mas é pensamento, ação, fala, escolhas, relações… alimente-se de boas ideias!

Fica então o convite para participar desse momento, simples e especial!

Será dia 18/02, das 14 às 18hs, entre Teoria e Prática, vamos preparar e degustar refeições saudáveis e saborosas, utilizando ingredientes em sua maioria orgânicos, veganos, integrais e sem glúten!

A proposta é: reconhecermos os princípios básicos da Medicina e Nutrição Ayurveda em nosso próprio corpo, mente e alimentos, então todos botam a mão na massa, realizam seu processo criativo, entre brincadeira e auto conhecimento _/\_

Os ciclos – oportunidades ricas para transmutar dificuldades e sofrimento

Gosto sempre de lembrar que nosso tempo deve ser aquele que nos ajusta internamente. Temos o tempo prático, quando marcamos compromisso com as pessoas e cumprimos, mas temos ainda o tempo que nos mostra onde e como nossos processos começam, amadurecem e finalizam. Esse tempo diz respeito somente à nós mesmos, se refere ao espaço onde somos capazes de identificar o aparecimento de questões e resolução de aprendizados pessoais…

Portanto, o calendário que seguimos e o ano novo no dia 31 pode ser uma grande balela, salvo que a energia coletiva de um desejo profundo de realizar mudanças exerce força à nosso favor! Portanto vamos aproveitá-lo e reforçar qual o nosso propósito nessa vida, identificar padrões que já não nos favorecem, fortalecer a confiança de realizar nosso dharma!

Particularmente (e acredito que coletivamente também), esse ano foi duro, não só em termos sociais e financeiros, mas energéticos e emocionais. Parece que não foi permitido varrer sequer uma poeira para debaixo do tapete… Tudo foi colocado à prova, exposto ao sol para ser curado e transmutado, doeu, mas já está passando!

Uma varredura rápida (sugiro que experimentem essa revisão em suas vidas também): no início de 2016 sofri o maior golpe material e moral que poderia sofrer, caí no conto do vigário, fui enganada e lesada na cara dura! Nunca tinha visto algo assim, achava que acontecia exageradamente nas novelas da Tv, na política nossa de cada dia, enfim, com “os caras lá de cima”. Pois bem, pude reforçar minha opinião e regra hermética ocorrer em minha própria vida, de que “o que está ali em cima é o mesmo que está embaixo”. Vemos nossa micro vida refletir a macro loucura que o mundo está atravessando nesses últimos tempos!

No meio do ano fui assolada por um inverno sem igual na “Ilha da Magia”, vivendo num local sem a menor estrutura para tantos dias de chuva e vento sul. Resultado, dores profundas diárias devido à artrose que carrego em meu pé esquerdo, seguido de um mau humor típico de quem ainda não transcendeu a dor física…

Fechei o ciclo ouvindo meu nome ser dito em roda de pessoas que mal me conhecem, mas falam de mim com uma propriedade incrível, como se tivessem certeza dos absurdos que vem falando…

Ninguém fala sobre as dores, incrível ver nas redes sociais uma certa “plasticidade”, as pessoa sorrirem, serem gentis, solícitas, simpáticas… É triste assistir ralidades criadas somente para tirar uma boa foto de self. Isso gera nas pessoas mais inocentes uma certa sensação de “não ser bom o suficiente”, afinal “vejo todos tão bem, parece que só eu me sinto mal”. Que baita engano! E que baita confusão acharmos que falar da dor significa reafirmar e alimentar a dor. Você pode assumir sua dor, se trabalhar e tudo bem se quiser ser discreto com isso. Mas partilhar somente alegrias e conquistas faz com que nos sintamos cada vez mais sozinhos e deslocados quando estamos tristes, e isso não ajuda em nada a transmutar esse sentimento.

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Transmutação através da adaptação – essas foram as peças chave para liberar o sofrimento advindo da frustração de vivenciar tantas situações indesejáveis. Sentimento esse que carregamos quando nos rebelamos frente à realidade que estamos vivendo, mas de uma forma não muito inteligente, pois acabamos criando mais dificuldades ainda ao invés de enxergar meios e ferramentas que nos ajudem a nos adaptar. Ouvi semana passada isso de um amigo que vive mais no mato com as abelhas do que no meio social com os humanos – a lei da natureza não é dos mais fortes e sim daqueles que se adaptam ao meio. Voilá, essa é a receita da vida!

Bom…, desabafo natalino à parte, mas totalmente necessário para compreenderem a citação escolhida para esse ano. Texto retirado do maravilhoso livro “Mania de Sofrer” da Bel Cesar. Abstenham esse nome, esse livro é lindo, escrito segundo a Psicologia Budista Tibetana, vale à pena ler cada página!

“Desista da Frustração”

“(…) Desistir da frustração não é uma atitude displicente, na qual aparentemente demonstramos fazer pouco caso de algo, mas por dentro, continuamos a acumular cada vez mais ressentimento. Desistir da frustração é uma escolha que surge do amadurecimento de ter observado e refletido sobre como nos envolvemos continuamente em situações que não queremos mais vivenciar…

Se escutarmos nossos ressentimentos, eles revelarão nossas falsas esperanças: como ainda aguardamos por justiça e reconhecimento de pessoas que continuam sempre a os prejudicar.

É como se tivéssemos a esperança secreta de fazer as pazes com o inimigo, de sermos amados por ele. No entanto, como diz o ditado: não é possível agradar ao mesmo tempo gregos e troianos. Temos que encarar a realidade humana de que não seremos amados por todos. Afinal, amar é um reflexo de nosso interior: quem ama incondicionalmente já superou há muito tempo essa necessidade compulsiva de ser amado “de qualquer jeito”.

Esperar por reforços positivos, como elogios e agradecimentos daqueles que nos frustram, é uma armadilha que nos faz ficar cada vez mais presos à frustração. Desista dela: dê a si mesmo uma nova chance, uma nova vida. Enquanto carregarmos a pesada carga emocional de nossas frustrações, teremos uma vida insatisfatória.

Chogyam Trungpa é bem realista à este respeito quando escreve: Todas as promessas que temos ouvido são mera sedução. Esperamos que os ensinamentos resolvam todos os nossos problemas, esperamos receber meios mágicos para lidar com nossas depressões, dificuldades e fracassos sexuais. Mas, para nossa surpresa, começamos a compreender que isso não irá ocorrer. É muito decepcionante entender que devemos trabalhar em nós e com nosso sofrimento em vez de depender de um salvador ou dos poderes mágicos de técnicas iogues. (…) Devemos nos permitir ficar decepcionados, o que significa a rendição de nosso próprio ego, de nossas próprias conquistas pessoais. (…) É um contínuo desmascarar, um processo de retirar as máscaras camada após camada. Isso envolve injúria após injúria. (…) Essa sequência de desapontamentos nos desencoraja a abandonar a ambição. Vamos nos desmoronando mais e mais até tocarmos o chão, até entrarmos em contato com a sanidade básica da terra. (…) Quando estivermos ligados à terra, não haverá espaço para sonhos ou impulsos levianos e assim nossa prática finalmente se tornará viável.

O segredo está em relacionar-se com o real: estreitar nossos relacionamentos com as pessoas que cumprem o que dizem e afastar-se daquelas que empacam nosso tempo, ou seja, é melhor sermos mais seletivos em nossos relacionamentos: devemos buscar estar com pessoas que sempre encontram um jeito de nos pôr para cima, porque têm prazer em nos ver subir. Pois elas vêem na competição uma perda de tempo e acreditam que privilegiar o outro é a melhor poupança para enriquecer sua participação neste mundo.

(…) Claro que aprendemos a nos defender é necessário, mas também precisamos saber criar vínculos baseados no companheirismo, onde cada um doa a sua energia para o outro porque sabe que vale à pena somar forças. Mas, em nossa sociedade capitalista, vemos o mundo como uma constante ameaça, e por isso estamos mais propensos a nos defender do que a criar cumplicidades em prol do próprio mundo.

(…) Desistirmos de uma frustração quando finalmente concluímos que nosso compromisso com a vida significa sermos capazes de eliminar totalmente aquilo que gera negatividade. Desta forma, se nos oferecerem um prato de arroz para comer e nos disserem que um grão está envenenado, vamos rejeitar o prato todo! Podemos até mesmo responder: “Obrigado, de negatividade já estou saciado…”

E um bom início de ciclo à todos! Com direito a reflexão, espaço e tempo para cultivar a verdadeira paz, a verdadeira felicidade, a verdadeira harmonia. Que todos os seres sencientes sejam felizes! _/\_

 

Alimentação Ayurvédica de Retiro

Fazer o que se ama nem sempre é simples. Nos privamos de ter e fazer coisas “legais”, muitas vezes abrimos mão de recursos materiais, abdicamos de alguns prazeres e desejos, mas no fim, realizar o dharma/propósito tem um significado e sabor que só quem se deu o direito de provar sabe do que estou falando. A vida tem sentido, é maior do que parece nas novelas e comerciais, tem um brilho diferente, é uma brisa que passa e você sente…

Romantismo à parte, concretizar nosso dharma é fluir a favor da vida, aceitar e colher frutos muitas vezes demorados a amadurecer. É sentir-se feliz com o que parece “pouco” aos olhos dos outros, é não se importar com a pressão alheia, opiniões divergentes e manter-se firme naquela sensação de saber que se está fazendo o que deve ser feito.

Fechei o ciclo desse ano aceitando que meu dharma é trabalhar em prol da alimentação consciente e terapêutica, desenvolver-me e crescer junto às pessoas que atendo nos atendimentos anamnese/massagem ouvindo suas lindas e únicas histórias de vida.

Em grande estilo, cozinhei num retiro num dos lugares que venho amando estar, Reserva Passarin em Paulo Lopes. Uma cozinha, mata e pessoas que me acolhem. Ao lado de um querido amigo, um dos que há anos atrás me abriu as portas e possibilidades de aprender a cozinhar, com carinho, cuidado e responsabilidade.

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Outro prazer inenarrável – ser quem eu sou, de meia, chinelo, estampas que não combinam, um colorido que pode deixar muitos desconfortáveis! Aceitar que meu tempero é esse, sei fazer desse jeitinho, comida alquímica em processo muitas vezes caóticos aos olhos dos outros, enquanto que por dentro de mim, tudo em paz, a confiança de que “ta tudo certo”.

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Fizemos arte, mantramos, nos divertimos, experimentamos a cozinha como laboratório de auto conhecimento, catarses, reconhecimento, aprendizado, consciência dos próprios limites, transmutação e entrega de todo nosso amor e capacidade nos alimentos que servimos.

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Alimentos orgânicos, de agricultura familiar, ingredientes da região, um cardápio totalmente vegetariano, e na sua maioria vegano, opções sem glúten, alimentos crus, brotos, germinados, especiarias, combinações alimentares harmônicas segundo a Ayurveda, muito sabor, cor e textura!

No cardápio, Mjadra, Kichidi, Abobrinha com Ricota de Amêndoas, Caldo de Canjica e Couve Flor, Almôndega de Mandioca e Banana ao molho de Manga, Chutney de Tomate, Omelete Vegan, Pesto de salsinha, bolos e pães 100% integrais e por ai vai, foi e será algumas outras vezes 😉

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Só temos a agradecer à querida Daniela, Leandro e todos os participantes do retiro, que nos deram abertura e espaço para expressarmos nossa criação gastronômica! Um agradecimento especial ao querido chef Fabiano, pela parceria em harmonia _/\_

Finalizo desejando que todos possam desenvolver-se em seu dharma, descobrir que onde quer que estejam, fazendo o que for, se houver verdade, propósito e amor, ta tudo certo!

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Bolinho de nibs, cacau, melado e leite de gergelim, humm o melhor!!!

Sei que parece conversa fiada, mas até onde minha curta memória consegue alcançar as lembranças dos sabores registrados no cérebro do meu estômago (rs), esse foi sim o melhor bolinho de cacau!!!

Sou doceira desde sempre, quando criança os meus brigadeiros eram os mais brilhantes, o segredo era 1 colher de sopa de creme de leite no fim do cozimento! A cozinha sempre foi lugar de reunião das tias e suas iguarias, arroz doce, pudim de leite, manjar de coco, pavê de chocolate, bolos e mais bolos…, com o tempo, o açúcar branco deu lugar ao mascavo, depois ao melado e muitas vezes as frutas secas. A farinha branca sumiu da prateleira da cozinha há muitos anos, nem lembro mais…, então trigo integral, farinha de arroz integral, farinha de grão de bico, psylium nesses casos, ainda mais quando o ovo se vai sem deixar recado e chegam sem avisar a chia, linhaça, puré de inhame e por aí vai…

Ah, mas quem não deixa saudades é o fermento químico, aquele trans ou não, já não me importa mais, o que eu quero mesmo nos meus bolos é vinagre de maçã, bicarbonato de sódio e muitas vezes o cremor tártaro. Gosto de ver o borbulhar da massa acontecer e ficar torcendo para o bolo crescer! Nem sempre acontece, mas é como antigamente, não existia whats então você nunca sabia quem ou o que poderia encontrar….

Às vezes tenho que lidar com provocações do tipo “nossa, mas esse bolo é meio firminho demais né”, ou “esse pudim, ah ops, bolo ta uma delícia”, ou mesmo “se quiser minha avó tem uma receita incrível de bolo fofo, leva em torno de 12 ovos, 1kg de açúcar branco blá blá blá”. Pois então, do tradicional conheço bem, venho de família matriarcal, marcada pelo encontro feminino entre as panelas! Mas me apaixona o experimento, como uma boa ariana, gosto de alquimia, transformação, tentativa e erro, muitos erros afinal!

Mas dessa filosofia gastronômica resulta uma boa receita, eu prometo!

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No liquidificador nessa ordem, 1 x de leite de gergelim integral, 3/4 x de melado de cana, 1/2 x de óleo de coco derretido, bate bem, desliga e acrescenta 2 c de sopa de linhaça dourada, 2 c de sopa de chia, aguardar uns minutinhos e vai untar uma forma do tamanho da de pão, com óleo de coco e açúcar mascavo, ligue o forno e deixe pré aquecer.

Volte ao liquidificador e acrescente 3 c de sopa de cacau em pó, cacau mesmo, nada de chocolate! Abre 3 bagas de cardamomo e separe as sementinhas, acrescente ainda uma fava inteira de baunilha, escandalosamente saboroso:) , e 1 c de sopa de canela em pó, bate bem essa misturinha, desliga e agora acrescente aos poucos 2 x de trigo integral.

Agora 3 c de sopa de nibs de cacau, 1 c de chá de bicarbonato de sódio, mexe com a colher, em seguida 2 c de sopa de vinagre de maçã, veja as borbulhas, mexa delicadamente e derrame a massa na forma, leve para o forno por 30′.

Para a calda, a tradicional misturinha básica 2 c de sopa de óleo de coco + 1/2 x de leite de arroz + 1/4 x de melado de cana, leva ao fogo por uns minutinhos até apurar, aguarde esfriar e cubra o bolo, podendo ainda salpicar mais nibs de cacau por cima.

E deguste, com TPM, sem TPM, acreditando ou não que o cacau tem algo à ver com isso, o que importa é estar livre, sem culpa, nem medo, apenas se permitindo o prazer, sem apego, sabendo que uma hora a forma vai esvaziar e não vale chorar! rsrs

 

 

 

Retiro Contemplativo – Equilibrando as Emoções

Convidamos à todos a participarem do Retiro Contemplativo – Equilibrando as Emoções, que acontecerá de 02 a 04 de dezembro na Reserva Natural Passarim em Paulo Lopes (30′ de Florianópolis-SC)
 
Unindo as tradições orientais, propomos um retiro contemplativo, respeitando o silêncio, contendo sessões de prática de Yin Yoga, Meditações guiadas segundo a tradição budista, Oficina Prática de alimentação e Orientações Práticas da Medicina Ayurveda e Medicina Tradicional Chinesa com o intuito de promover o auto conhecimento e equilibrar as emoções.
 
O programa do Retiro se divide em momentos de aprendizado, contemplação da natureza, introspecção, consciência e oportunidade de renovação.
 
O local do retiro é propício para as atividades sugeridas, com estrutura para um pequeno grupo, espaço livre para caminhadas e banhos de rio. A alimentação será vegetariana, integral e em sua maioria vegana e orgânica, as refeições serão elaboradas segundo as tradições medicinais ayurvédica e chinesa, contemplando a saúde integral, 
desintoxicação do organismo e nutrição dos sentidos.


As organizadoras e reponsáveis pelo programa, aulas, oficinas e orientações possuem experiência nas respectivas áreas, ética e compromisso em passar os conhecimentos através de suas próprias experiências e conforme sua capacidade de atuação. conheça mais: 

O valor sugerido inclui as duas pernoites, todas as refeições e atividades do cronograma, materiais utilizados e apostila, com facilidades e descontos:
* Até 10/11 – 1º parcela a ser depositada no valor de 180,00 + 2X de 180,00 em cheques pré datados entregues no dia do retiro
* Até 10/11 – Única parcela a ser depositada no valor de 510,00
* Depois de 10/11 – 1º parcela a ser depositada no valor de 240,00 + 2X de 180,00 em cheques pré datados entregues no dia do retiro
Conheça a programação:
SEXTA-FEIRA
18:00 – 19:30 – Recepção
19:30 – 20:00 – Janta
20:00 – 20:30 – Roteiro Retiro
20:30 – 21:00 – Introdução à Meditação
SÁBADO
06:45 – 07:00 – Água morna com limão
07:00 – 08:30 – Prática de Yin Yang Yoga
09:00 – 09:30 – Café da Manhā
09:30 – 10:00 – Descanso
10:00 – 11:00 – Orientações Terapêuticas segundo a Medicina Ayurveda
11:00 – 11:30 – Meditação
11:30 – 12:30 – Descanso
12:30 – 13:00 – Almoço
13:00 – 14:30 – Descanso/ Caminhadas
14:30 – 15:00 – Meditação
15:00 – 16:00 – Prática de Meditação da Cozinha
16:00 – 17:00 – Orientações Terapêuticas segundo a Medicina Tradicional Chinesa
17:00 – 17:30 – Doce da Tarde
17:30 – 18:00 – Meditação Caminhando
19:00 – 19:30 – Dúvidas com chá
19:30 – 20:00 – Janta
20:00 – 20:30 – Leitura
20:30 – 21:00 – MeditaçãoDOMINGO
06:45 – 07:00 – Água morna com limão
07:00 – 08:30 – Prática de Yin Yoga
09:00 – 09:30 – Café da Manhā
09:30 – 10:15 – Orientações terapêuticas segundo a Psicologia Budista
10:15 – 11:00 – Encerramento
11:00 – 11:30 – Karma Yoga – Limpeza

Bolo de cacau e limão siciliano com farinha sarraceno, só provando para conhecer sabor e aroma inigualáveis…

Imagine acordar numa manhã de segunda feira chuvosa, descer as escadas rumo à cozinha e encontrar um bolo fresquinho, gostoso e nutritivo, combinando perfeitamente com seu café com leite de arroz? Então, se assim o desejar, realize, é fácil e saudável 😉

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Utilizar a farinha de sarraceno é sempre uma ótima opção para quem cansou do glúten (e do papo do glúten…), e deseja um bolo fofinho sem utilizar componentes de origem animal. Em termos ayurvédicos, essa é uma farinha um pouco mais pesada, portanto o uso de especiarias é essencial para ativar o fogo digestivo, mas o fato dessa receita não levar ovos, nem leite, manteiga, fermento químico trans, o transforma numa receita facílima de digerir, compatível com qualquer biotipo e ser que possui um paladar autêntico!

Sem mais delongas, segue a receitinha aprovada:

  • 2 x de farinha sarraceno (bater os grãos no liquidificador para fazer a farinha)
  • 3/4 x de açúcar demerara (pode substituir por pasta de tâmaras)
  • 3/4 x de cacau em pó (orgânico se possível)
  • 1 c de chá de cremor tártaro + 1/2 c de chá de bicarbonato de sódio + 1 c de sopa de vinagre de maçã (esse é o nosso fermento)
  • 2 x de leite vegetal de castanha do Pará
  • 1/2 x de óleo de coco (derretido em banho maria)
  • 1 c de sopa de chia e 1 c de sopa de linhaça
  • 1 c de sopa de canela em pó
  • 1 c de chá de noz moscada ralada
  • 1 semente de fava tonka ralada
  • 1 c de chá das sementes de cardamomo (se preferir toste e pile para liberar mais sabor)
  • 1 /2 c de café de fava de baunilha triturada
  • 1 c de sobremesa de sementes de papoula
  • 1 c de sobremesa de sementes de gergelim
  • 1 c de sopa de raspas da casca do limão siciliano (orgânico)
  • Para a calda – sumo de 1 limão siciliano, 1/2 x de água, 1 c de sopa de óleo de coco, 4 c de sopa de açúcar demerara e 1 c de sopa de água de flor de laranjeira

Preparando a massa: deixar a chia e linhaça de molho no leite vegetal por 15′, reserve. Juntar os ingredientes secos numa bacia, inclusive todas as especiarias, misturar bem, então acrescentar o leite vegetal e o óleo derretido, mexer para misturar bem os ingredientes, e somente por último acrescente o vinagre de maçã, levando então a massa imediatamente para o forno pré aquecido, numa forma untada com óleo de coco e farinha de arroz (usei forma de pão, deu certinho a qtde). Assar em forno médio por aproximadamente 35 a 40′, espetar o palito para sentir massa, desligar o forno e deixar o bolo esfriar ali dentro com a porta semi aberta. A massa é molhadinha, cuidar para não deixar secar demais!

Preparando a calda: numa panela juntar a água, sumo do limão, óleo de coco e açúcar e levar ao fogo por alguns minutos até formar uma caldinha mais espessa, desligar e acrescentar a água de flor de laranjeira. Desenformar o bolo, fazer furinhos com cuidado e derramar a calda por cima.

Combina também servir no café da tarde acompanhado de um suco de laranja no calorzinho ou chazinho de hortelã se o dia estiver mais frio 😉

 

O Retiro de Primavera foi muito bom, promete outros eventos!

O Retiro de Primavera, contemplando as práticas de Yin Yoga, Ayurveda e Meditação foi muito especial. Poder estar na companhia de pessoas firmes em seu propósito de conhecer e praticar a meditação como ferramenta de auto conhecimento e reconhecimento das inúmeras realidades que criamos, e das possibilidades de criarmos realidades mais alinhadas com nossa verdade interna, reconhecendo assim nossa natureza búdica, foi um privilégio.

img_3074A sangha (grupo) é uma das jóias búdicas, sendo um apoio fundamental para que a prática de meditação ganhe espaço de forma efetiva em nossas vidas corriqueiras e cheias de distrações que a cada dia crescem e nos afastam cada vez mais de nosso silêncio interno.

Mauna é o nome que damos ao silêncio da palavra, uma das práticas mais profundas para chegarmos ao conhecimento da nossa mente e percebermos quantos ruídos ela ainda gera. Mas quando propomos que o Retiro de Primavera fosse feito em silêncio, não imaginávamos o quanto seria realmente levado à sério, e quantos benefícios poderiam surgir em apenas 2 dias de prática séria. img_3022Um local tão integrado com a natureza não poderia oferecer algo diferente do que pudemos experienciar: silêncio, contato com a mata, águas cristalinas, locais de recolhimento, beleza natural, estrutura ideal para um Retiro como esse. Temos profundo agradecimento pela Lu e a Reserva Passarim, por nos receberem com tanto afeto!

 

img_2964Falando em agradecimento, não poderia faltar mencionar a linda parceria com a Michele e Saulo da Loja Grão Mestre, que nos forneceram os produtos secos orgânicos, possibilitando que a alimentação fosse realizada da forma mais saudável possível! Agradecimento a querida Luana que nos forneceu todos os frescos orgânicos, sem vocês, esse primeiro passo não poderia ter sido dado, viva a união e apoio às causas que beneficiam à todos!

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Ficamos muito felizes com a participação de todos durante a Oficina de Prática Alimentar que também foi realizada em silêncio (pelo menos o possível, rs), me surpreendendo e ajudando a realizar esse sonho: prática na cozinha sem tagarelice! Estendendo a prática de meditação para os afazeres mais comuns, como lavar louça, cozinhar etc. foi muito especial! ❤

 

img_3111Apesar da Primavera, tivemos uma manhã fria e aconchegante ao lado do fogo, transmutando todos os processos que foram vivenciados durante aquele fim de semana. Descobrimos que o carinho, afeto e relação não precisa muitas vezes da palavra, e quando em silêncio, aguçamos os outros sentidos…

 

 

img_3005Inclusive o sentido gustativo, nhammm, valeu cada comidinha, receitinha especial segundo a Nutrição Ayurveda e pitadas consideráveis dos ensinamentos da Medicina Chinesa em parceria com a querida amiga Terapeuta Nina!

Uma vivência boa dessas merece repeteco, quem sabe em meados de dezembro estamos por lá, celebrando a chegada do Verão, com propostas adequadas ao momento de transição da estação do florescimento para a extroversão, calor e dias de banho na cachoeira 😉 img_3189Esse trio funcionou muito bem, em respeito e amizade, queridas Marina e Nina, agradeço pelo aprendizado em convivência pacífica e harmoniosa!

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