O ritual do novo ciclo

Texto por Glendha Kreutzer

 

 

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Independente da religião ou calendário que se siga, qualquer cultura há de convir que os movimentos cíclicos fazem parte dos processos de entendimento e aprendizado de nossas vidas. Talvez pelo fato indiscutível da existência da roda do nascimento, crescimento, degeneração e morte. Não adianta mumificar ou embalsamar os corpos, enterrar os bens ou congelar os genes…, qualquer tentativa de eternizar ESSA VIDA, ou seja, eternizar o ego, personalidade e tudo o mais que criamos ao nosso redor que gere apego e identificação, será em vão.

Não gere medo ou angústia ao se deparar com essa realidade. Ela não é boa nem ruim, simplesmente é como é. Nossa mente sofre ao perceber que não terá como sobreviver eternamente. Ela não sabe que é alma, espírito e luz. Ela se engana, nós nos enganamos e passamos a acreditar no sonho desta vida. Viva essa vida pelo o que ela é, pelo o que você é agora. Não somos especiais, não acredite que és um mestre só porque medita, pratica yoga e tens alguns bocados de vislumbres pacíficos em sua mente. Não se sinta superior ao outro porque sabes recitar mantras, viveu na Índia ou esteve na presença de professores inspiradores. Esse é um grande erro! Lembre-se que se estás em contato com essas práticas espirituais, de duas uma: ou possuis mérito e por isso te chegam ferramentas que te auxiliam a perceber e se livrar de parte do seu sofrimento, ou és um verdadeiro necessitado de ajuda, portanto realmente necessitas por um tempo estar próximo dessas práticas e mestres.

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Um pouco de inspiração para a sua prática:

Como cultivar a mente verdadeiramente consciente? Se queremos transmutar o sofrimento, não sermos o que pensamos ser, e sim enxergar as coisas como elas realmente são, é preciso tapas, forte determinação, desejo ardente em se libertar das distrações da mente:

“A mente não cultivada flutua por causa dos hábitos de comportamento, e, por estar ciente disto, Patanjali apresenta métodos de concentração no espírito universal de Deus, ou na respiração, ou naqueles que alcançaram a libertação pela prática do yoga, ou em qualquer coisa que seja condizente com a natureza da pessoa. Ao seguir esses métodos, o praticante desenvolve uma mente cultivadae, com esta, analisa corretamente, raciocina com exatidão ou, sem se deixar interferir pelos objetos do mundo externo, nem analisa enm raciocina, mas, sim, permanece em silêncio. Quando o cérebro cultivado fica em silêncio, é o estado de graça, e nele, o praticante vivencia a essência de seu ser. (…)

Patanjali nos adverte que não devemos nos deixar prender por essa quietude. Há mais coisas além dela, conhecida como a nascente da nossa própria consciência. Se você alcançar a tranquilidade da consciência e se mantiver nesse estado, lembre que existe um despenhadeiro conhecido como yoga-bhrasta, que significa “expulso do estado de graça do yoga”. Isso ocorre quando a pessoa fica presa nesse estágio, imaginando que é o fim do yoga. A prática deve continuar, uma vez que deve culminar, segundo Patanjali, no vislumbre da alma. Assim, da flutuação á quietude, da quietude ao silêncio, do silêncio ao vislumbre da alma, transcorre a jornada do yoga. Com intenso esforço e profunda fé, você tem de recarregar as baterias de sua inteligência para atravessar as vibrações da consciência e descobrir onde elas acabam. Ao atingir esse estado, você desenvolve uma consciência madura conhecida como inteligência experiente ou madura, que não se abala, e você se torna um só com a essência do seu ser. Isso é conhecido como nirbija-samadhi, ou samadhi sem semente.” (A árvore do yoga – B.K.S Iyengar).

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Meditação não se ensina nem se aprende, simplesmente se pratica. Posso orientar pessoas que me procurem como terapeuta, posso oferecer diferentes técnicas para que juntos possamos tranquilizar nossas “mentes-mico”, mas isso acontece como uma troca, um aprendizado mútuo, o fortalecimento do propósito, da sangha. Posso contar como venho trilhando meu caminho mas não posso apontar o caminho para ninguém…, desejo profundamente que acima de tudo, nos liberemos do nosso ego-existência, da importância pessoal, dos apegos que nos prendem à essa existência fazendo com que acreditemos profundamente que ela se resume somente à isso, a essa vida, esse corpo que cultuo e cuido, essa inteligência da qual me orgulho, esse ser com quem compartilho minha vida, esse trabalho que executo, essa casa ou cidade onde moro, essa roda de amigos, esses hábitos do dia a dia, esse meu, seu, teu, nosso!

Que todos os seres se liberem se suas amarras de sofrimento, que possamos aproveitar a influência dos ciclos, desse ciclo específico ao qual chamamos de “ano novo” e reafirmarmos nossos propósitos, fortalecermos nossa prática pessoal e caminharmos livres de tantos medos, apegos e aversões.

 

 

 

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