A imaginação na cura

Texto  :  Glendha  Kreutzer  /  Citações da Obra  :  A imaginação na cura

 

A imaginação na cura

a imaginação na cura

 

Mais do que discutir à respeito da existência da integração (e interação) entre corpo e mente, é chegado o momento na história onde estamos vivenciando essa realidade de forma cada vez mais concreta e científica.

Desde tempos primórdios, os métodos de cura natural sofrem discriminações, muitas vezes por interesses políticos, crenças religiosas, jogos de poder, e portanto transitam entre a realidade da proibição de sua prática e seu acontecimento pela marginalidade.

Classificadas hoje como Terapias Holísticas ou Alternativas, o que antes eram considerados métodos “falhos”, por conta da falta de comprovação científica, hoje esses métodos estão cada vez mais inseridos no meio acadêmico e instituições médicas, sendo complementar e servindo de apoio à Medicina Tradicional.

Com o surgimento de novas drogas acompanhadas logicamente de “novas doenças”, observa-se a Medicina Ortodoxa , que apesar de não sofrer da falta de credibilidade em seus métodos, têm encontrado lacunas sérias em seus tratamentos, principalmente no que se refere à prevenção das doenças.

Para não dizer que a Medicina não vem acompanhando a transformação dos seres e de suas reais necessidades de saúde e bem estar, esse texto vem falar um pouco sobre o segmento chamado de Psiconeuroimunologia, que aborda principalmente técnicas e estudos apoiados nas reações bioquímicas do nosso corpo e nas reações de nosso cérebro á determinados  estímulos, liberando assim uma porção de hormônios e outras substâncias que comprovam a eficácia dos tratamentos baseados na imaginação.

A obra “A imaginação na cura – Xamanismo e Medicina Moderna” da autora Jeanne Achterberg servirá de apoio ao artigo, 0nde serão publicadas citações extraídas do livro, que serão dividas conforme os temas. Este livro discorre de forma satisfatória no que se refere às técnicas de cura pela imaginação e sua comprovada eficácia em diversos casos de patologias como esquizofrenia, processos degenerativos como artrose, dores relacionadas ao parto e traumas e fraturas, comprovando que a doença está intimamente relacionada a nossa mente (senão é essa mesma quem a origina) e essa é capaz e responsável por agravar um quadro ou revertê-lo levando de volta ao estado de saúde.

Particularmente compartilho a idéia de que esse é um ramo da ciência que surge para servir de elo entre a antiga (nem tão antiga) e cartesiana Medicina Ortodoxa e as Novas (nem tão novas) Terapias Naturais de cura e prevenção.

 

Parte I – Paracelso e seu papel na História da Medicina

 

paracelsus

Paracelso, o pai da Alquimia como é conhecido, foi um dos médicos mais audazes de sua época, transgredindo regras como dar suas aulas em sua língua materna ao invés do latim, assim como queimar na fogueira o Canon, bíblia da medicina naquele tempo. Sua figura não deve  remeter apenas aos atos de rebeldia, mas sim revelar um médico um tanto humanista e sábio por inteirar em sua prática o conhecimento popular do uso das ervas entre outras técnicas praticadas na época somente pelas mulheres.

Pág 74: “Mesmo sendo extremamente perigoso para as mulheres praticar a cura, durante a Renascença a imaginação, que tanto permeava suas técnicas, continuou a ser incorporada à medicina. Ela se associou à prática médica de vanguarda, porém autorizada, e basicamente por intermédio do trabalho de Paracelso”.

Pág 75: “Em vez de fazer ouvidos moucos, ou o que seria pior, em vez de ridicularizar a medicina popular, Paracelso ouviu as benzedeiras e os curandeiros populares, incorporando seus conhecimentos à sua medicina, particularmente à obstetrícia, que os médicos praticavam literalmente no escuro, já que raramente se lhes permitia sequer dar uma olhadela na anatomia das futuras mães durante os trabalhos de parto e nascimento”.

Comentários do próprio Paracelso quanto à cura popular e as técnicas de imaginação:

“O homem é seu próprio médico e encontra as ervas curativas apropriadas em seu próprio jardim; o médico está em nós e em nossa própria natureza encontram-se todas as coisas de que necessitamos”.

“O homem é uma oficina de trabalhovisível e invisível. A oficina visível é seu corpo, a invisível é a imaginação (mente)… A imaginação é o sol na alma do homem… O espírito é o mestre, a imaginação o instrumento , e o corpo, o material plástico… O poder da imaginação é um grande fator na medicina. Pode causar doenças…e pode curá-las… Os males do corpo podem ser curados por meio de remédios físicos ou pelo poder do espírito que age através da alma”.

Em que momento então que o conhecimento da alma, o sopro da intuição deixou de ser ouvido pelo homem? Quando foi que nos perdemos de nossa essência e deixamos de acreditar da nossa capacidade única de nos conhecer e nos curar através de nós mesmos?

Pág 76: “O pensamento médico pré-cartesiano era, invariavelmente holístico e o princípio da inseparabilidade da mente, do corpo e do espírito nos cuidados com a saúde estava em sintonia com a visão de mundo de então. Quando essa visão se modificou, para incorporar o modelo cartesiano da dualidade – a separação entre as funções da mente e do corpo -, a abordagem holística tornou-se logicamente inconsciente. O próprio Descartes asseverou que nada havia no conceito de corpoque pertencesse à mente e, do mesmo modo, nada da mente que pertencesse ao corpo. Hoje temos permissão implícita para dissecar, seccionar,examinar e invadir o corpo humano, sem receio de causar danos à alma. A questão é que, na essência da prática da medicina, a imaginação perdeu seu status.

Estamos vivenciando o início da era pós cartesiana, uma vez que as farmácias e clínicas de tratamento  deixarão de ser mais visitadas do que os parques  e as nascentes de rios e suas águas puras. Chega o momento em que o homem é convidado a confiar além das técnicas médicas, ele é convidado a ouvir o chamado de seu médico interior.

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